quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
OUTRA CEIA - GRUPO PURA TENTAÇÃO
O Universo nos convida diariamente para participar da Ceia da Vida. Deus é essencialmente Bom e Democrático: oferece aos filhos de nosso Planeta-Escola a possibilidade de escolher de que forma podemos participar desta Ceia. Creio ser este o papel da diversidade de crenças em nossa caminhada terrena.
Paz e Luz sempre!
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Um tumbeiro corta os mares do Atlântico: nele, enxergo a luz dos olhos de meus antepassados. Há dor e revolta no olhar daqueles homens e mulheres negras. Há a chama da fé que os sustentará nas terras da madeira em brasa.
Os tambores tocam o Agabi. Uma gargalhada ecoa, separando a terra do mar. O fogo consome o vento e faz a areia secar. É Exu que vem chegando, fazendo questão de mostrar que o mundo dá muitas voltas para Tempo governar.
Os tambores ecoam nas tribos africanas. Ogum ouve e dança a sua dança de guerra. Corta o ar com sua espada forjada no fogo do vento e arrebanha seus soldados. Iemanjá oferta ajuda:é boa estrategista, conhece todas as cabeças humanas, é a mãe de todos os oris: irá equilibrar o confronto. Ordena que as ondas conduzam o exército de Ogum.
Os tambores tocam agora o ritmo Alujá. Xangô ouve e chama seu Ojuobá. Fica sabendo por ele que reis e rainhas foram capturados. Apanha seu machado duplo. De sua boca sai o fogo sagrado. Sua ira transforma-se em trovões que se fazem ouvir no mar. Iemanjá e Ogum ouvem a voz de Xangô. Sabem que ele irá se juntar ao grupo. Esperam. Xangô ordena que os tambores ecoem o Ilu, o Oguele e o Ijexá. Yansã toma a ira do marido como sua. Transforma-se em vento e decide segui-lo. Obá e Oxum juntam-se à comitiva de Xangô. Seguem para o mar.
Em Tapa, os tambores tocam o Opanijé. Omolu ouve. Olha para o céu e para a terra. Pressente a morte rondando seu povo. Os tambores avisam que o exército dos orixás está em alto mar, indo em direção a terras desconhecidas. Omolu examina sua cabaça, apanha seu xaxará e participa à família de sua decisão: também guerreará por seu povo. Nanã, Oxumarê, Ewá e Ossãe juntam-se a ele.
Os tambores tocam o Aguerê. Oxóssi ouve. Apanha seu ofá: usará sua única flecha para lutar pela libertação de todos os filhos de Odé.
Ogum recebe a todos com alegria. Tem pressa em começar sua guerra. O mar se debate enfurecido: Iemanjá não quer mais esperar. Omolu interfere. Faltam mais Orixás. Yansã aumenta o vento que empurra o exército para frente, aproximando-o da costa brasileira. Xangô chama seu Ojuobá, pede que ele relate tudo que vê.
O exército se agita em direção ao tumbeiro. Um negro tenta fugir. Homens brancos acertam-lhe com a chibata, fazendo-o sangrar.
Os orixás saúdam Exu novamente.
Iemanjá pede cautela e orienta que todos fiquem rondando o Brasil: é preciso conhecer aquele povo antes de qualquer ação. Os Orixás afeiçoam-se dos brancos. Neste momento, chega o último guerreiro de Olorum e, sobre as terras brasileiras, estende o seu Alá. Os orixás congratulam-se: havia chegado Oxalá.
TRECHO DO LIVRO CAPA DE VELUDO
Jeaney Calabria
Ditado por Veludo
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